quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Seminário na Câmara Municipal debate temas socioambientais e tem participação democrática

Por Thieny Moltini

Da esquerda para direita: Silvia Santos, Cacique Xavante Bururãire, Dr. Antonio Fernando Pinheiro Pedro, Marco Antonio e Thiago Leite 

Aconteceu nesta segunda-feira, 3 de outubro, o I Seminário sobre Políticas Públicas, Direitos e Bem-Estar Animal, na Câmara Municipal de São Paulo. Com a presença de representantes do poder público, ativistas, voluntários e simpatizantes da causa, o encontro foi marcado por seu caráter democrático e buscou debater a implementação da educação ambiental de forma abrangente, que vá desde o nosso dia a dia até as salas de aula.

Com apoio e presença do vereador Celso Jatene, a primeira mesa teve início às 10h20 da manhã. Presidente do PTB Ambiental e sócio-fundador do escritório Pinheiro Pedro Advogados, o Dr. Antonio Fernando Pinheiro Pedro foi responsável pela abertura da mesa. Ao falar sobre a importância do debate, ele enfatizou a necessidade e o dever de respeitarmos todos os animais como iguais, desde os silvestres, até os de abate e os domésticos. “Todos somos criação de Deus, até as pedras”, explicou.

Dr. Pinheiro Pedro e Celso Jatene
O vereador Celso Jatene também esteve presente à mesa, dando apoio à causa e às questões ambientais. ”Nosso gabinete realizou um estudo e fizemos um programa de compensação ambiental para todo o nosso mandado, até o final de 2012. Queremos que essa prática seja estendida a todos da Câmara”. Além dessa medida interna, o deputado ainda espera aprovação de projeto que prevê compensação ambiental para todos os eventos realizados na cidade de São Paulo.

Dando início, efetivamente, à mesa, o Cacique Xavante Bururãire, da Aldeia Uirapuru, da Reserva Marechal Rondon (MT) e presidente fundador da AMA (Associação Mão Amiga Para Todos os Povos) trouxe histórias e perspectivas que emocionaram a muitos dos presentes, reafirmando a importância do respeito para com os animais e o meio. Marco Antonio, representante da comunidade quilombola, alertou para a necessidade de educação dos jovens, que vê-la presa. “O pássaro preso, lamenta, o pássaro solto, canta”, concluiu.

A presidente da CISSA (Centro de Integração Social de Sustentabilidade Ambiental), Silvia Santos, e o representante da Profauna (Programa de Proteção à Fauna e Monitoramento dos Ecossistemas), Thiago Leite, encerraram o primeiro momento do encontro. Expondo a realidade do tráfico de animais silvestres que partem da região de Ubatuba, área de atuação da ONG, Thiago também chamou atenção para a educação. Porta-voz da CISSA, Silvia levou a discussão às periferias, onde se faz necessário um projeto de conscientização para que os moradores saibam como cuidar de seus animais de estimação, no que diz respeito, sobretudo, às questões de zoonose.

Um encontro democrático

Após a primeira mesa, o evento foi aberto a todos os presentes, permitindo ao público presente expor suas ideias, necessidades e experiências, de maneira democrática.

Dr. Pinheiro Pedro e Dr. Luis Flávio Borges D'Urso
Foi o caso de Arnaldo Faria De Sá, deputado federal do PTB, e do presidente da OAB/SP, Dr. Luis Flávio Borges D’Urso, que prestigiaram o encontro e deram apoio à causa. “Tudo o que é produzido nesta casa traz repercussão para toda a sociedade e a OAB estará à disposição para propagar, divulgar e aplicar os ideais de cidadania”, incentivou D’Urso. Faria De Sá ressaltou suas preocupações com a questão, “O meio ambiente não tem que estar à disposição do ser humano, mas o ser humano tem que estar à disposição do meio ambiente” e concluiu, “eu não quero só o meio ambiente, eu quero o ambiente inteiro”.

Com as demais exposições ficou ainda mais clara a necessidade de elaboração de políticas públicas definitivas, que trabalhem de maneira firme e pontual as questões ambientais. “De todos os animais silvestres retirados do meio, no Brasil, para serem comercializados de maneira ilegal, 60% a 70% são consumidos pelos brasileiros, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro”, expos Dimas Marques, do blog Fauna News, do Profauna.

Exemplos de esforços em prol dos animais também foram mostrados, como o caso de Maria Barreto e Ana Alencar. Aposentada após 25 anos de trabalho como comissária de bordo, Maria criou a APAC (Associação Protetora de Animais de Carapicuíba) e o Jornal Meio Ambiente e Animais e, sozinha, cuida de 120 cães em sua chácara. Através de seu veículo de comunicação, tenta conscientizar a população sobre a importância dos cuidados e do respeito para com o meio ambiente. Ana, professora do ensino fundamental, tenta levar às crianças, na sala de aula, a concepção de que o ser humano vive em um ciclo, no qual todos estão interligados e, por isso, os problemas não são assim tão distantes quanto parecem. “Precisamos educar para melhorar”, finalizou. 

Um comentário:

  1. Tenho participado de fóruns de discussão ligados aos movimentos indigenistas, e lá tem-se discutido a tese de que a natureza, os animais e as plantas também são sujeitos de direitos, assim como os seres humanos. Esse passo iria além do simples combate ao tráfico e aos maus tratos. Significaria questionar a implantação de estradas e usinas hidrelétricas em áreas preservadas, por exemplo. Uma usina hidrelétrica, para os animais na natureza, é como uma bomba atômica. Afoga e dizima tudo em centenas de milhares de quilômetros quadrados.

    ResponderExcluir